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20 maio 2013

O mal é algo?


Tomás responde: o mal é algo?

Deve-se dizer que, como o branco, também o mal se diz de dois modos. Pois, de um modo, quando se diz branco, pode entender-se o que é sujeito da brancura; de outro modo, branco se diz do que é branco enquanto branco, ou seja, do acidente mesmo. E, semelhantemente, o mal pode entender-se, de um modo, como o que é sujeito do mal, e neste sentido é algo; de outro modo, pode-se entender como o próprio mal, e neste sentido não é algo, mas sim a privação mesma de algum bem particular.

Para maior compreensão disto, é preciso saber que propriamente o bem é algo enquanto é apetecível, pois, segundo o Filósofo no livro I da Ética, definiram corretamente o bem os que disseram ser o bem o que todas as coisas apetecem; mas o mal se diz do que se opõe ao bem, donde ser conveniente que o mal seja o que se opõe ao apetecível enquanto tal. É impossível, todavia, que este seja algo, o que se manifesta por três razões.

Em primeiro lugar, certamente, porque o apetecível tem razão de fim; mas a ordem dos fins é, por assim dizer, também a ordem dos agentes. Com efeito, na medida em que algum agente é mais elevado e mais universal, nesta mesma medida também o fim por que atua é um bem mais universal, pois todo e qualquer agente atua por um fim e por algum bem; e isto se mostra, patentemente, nas coisas humanas.

 Sim, porque o governante de uma cidade tende a um bem particular, que é o bem da cidade. Mas o rei, que é superior a ele, tende a um bem universal, a saber: a paz do reino todo. Logo, não sendo próprio das causas agentes proceder ao infinito, sendo porém necessário chegar a uma primeira coisa que seja causa universal do ser, é necessário, além disso, que seja um bem universal a que se reduzam todos os bens; e este não pode ser outro senão aquele mesmo que é agente primeiro e universal; porque todas as vezes que o apetecível move o apetite, sendo necessário, por outro lado, que o primeiro motor não seja movido, é necessário que o apetecível primeiro e universal seja o bem primeiro e universal, que se ocupa de todas as coisas por causa do seu próprio apetite.

 Logo, assim como é necessário que tudo quanto há nas coisas proceda de uma causa primeira e universal de ser, assim também é necessário que tudo quanto há nas coisas proceda de um bem primeiro e universal.  Ora, o que procede do bem primeiro e universal não pode ser senão, unicamente, um bem particular, assim como o que procede da causa primeira e universal de ser é algum ente particular. Logo, é necessário que tudo quanto é algo nas coisas seja algum bem particular, donde não poder, pelo fato mesmo de ser, opor-se ao bem. Razão por que não cabe afirmar senão que o mal enquanto mal não é algo nas coisas, mas é privação de algum bem particular, que inere a algum bem particular.

Em segundo lugar, também isto é evidente, porque tudo quanto há nas coisas possui alguma tendência para aquilo que lhe convém e o desejo natural dele. Ora, o que tem razão de apetecível tem razão de bem. Logo, tudo quanto há nas coisas convém com algum bem. O mal enquanto tal, todavia, não convém com o bem, mas opõe-se a ele. Logo, o mal não é algo nas coisas. Além do mais, se o mal fosse algo, não apeteceria nem seria apetecido por nada mais, e, por conseguinte, não teria nenhuma ação nem movimento, dado que nada atua nem se move senão por causa do apetite do fim.

Em terceiro lugar, patenteia-se a mesma coisa pelo fato de que o próprio ser tem, sobretudo, razão de apetecível; donde constatarmos que a cada coisa apetece naturalmente conservar o seu ser: por um lado, afasta-se das coisas destrutivas do seu ser, e, por outro, resiste a elas na medida das suas possibilidades. Assim, o próprio ser, enquanto apetecível, é bom. Logo, é necessário que o mal, que se opõe universalmente ao bem, se oponha, ademais, ao que é ser. O que porém é oposto ao que é ser não pode ser algo.

Digo, por conseguinte, que o mal não é algo, embora aquilo a que suceda ser mau seja algo, uma vez que o mal não priva senão de um bem particular; assim como o ser cego não é algo, ao passo que aquele a que sucede o ser cego á algo.

05 abril 2013

A banalidade do mal


A BANALIDADE DO MAL EM HANNAH ARENDT


Um esboço de anteprojeto monográfico

Apresentação - Hannah Arendt nasceu em Hanover, em 1906. Filha de família judia, rica e intelectualizada, chegou a ler Kant aos dezesseis anos. Na Alemanha, estudou nas Universidades de Marburgo, Friburgo e Heidelberg. Nesta última, onde se doutorou em 1928, foi aluna de Heidegger e Jaspers. Entre suas produções mais famosas, quase todas com boas traduções para a língua portuguesa, estão The Human Condition (1958); Between Past and Future (1961); Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil (1961); A famosa trilogia The Origins of Totalitarianism - I. Antisemitism (1951) II. Imperialism (1958) III. Totalitarianism (1966); e The life of Mind (1978), talvez sua mais importante obra traduzida por A Vida do Espírito, lamentavelmente inconclusa devido ao seu passamento em dezembro de 1975.

Hannah Arendt destacou-se por sua capacidade, a bem dizer fascinante, de mobilizar os recursos de uma cultura vastíssima e colocá-la a serviço da formulação de suas grandes teses, o conjunto de suas obras é um marco na história da filosofia por iluminar o debate sobre as relações entre a filosofia e a política, que influenciou novas gerações dos pensadores praticamente no mundo inteiro:

Hoy en día, sin embargo, el conjunto de la producción de Hannah Arendt está siendo revalorizado, sus obras, que han sido traducidas a todos los idiomas cultos, son presentadas como un nuevo modelo para las ciencias políticas en los departamentos universitarios y la literatura que se la dedica en EEUU y en Europa se ha hecho inmensa.[1]

Através de Heidegger, Arendt aprendeu a distinguir "entre um objeto de erudição e uma coisa pensada", ou seja, que pensar não é pensar sobre alguma coisa, mas pensar alguma coisa. Entretanto, também com Heidegger, verificou a relação dilemática dos filósofos com a política cuja origem remonta a Platão. Para escapar dessa relação, valeu-lhe a lição, colhida junto a Jaspers, de fé na compreensibilidade de todas as verdades e uma boa vontade de palavra e atenção, como pré-requisito de todo comércio humano. Jaspers foi, segundo Hannah, o único sucessor de Kant, e Kant - na leitura que faz da Crítica do Juízo - um dos poucos que chegou a uma filosofia política, pois deu-se conta que, politicamente, não existimos no singular, mas coexistimos no plural.

30 março 2013

Espiritualidade e missão


Esse binômio não se separa. A espiritualidade redentorista é missionária e a missão redentorista é fruto e expressão de uma vida enraizada nas profundezas do coração de Deus. A razão de ser da Congregação na Igreja é a missão. Os redentoristas existem para as realidades mais difíceis, onde há abandono do poder público e descuido da Igreja. O redentorista quando enviado para as realidades de grande desafio está sintonizado com a índole e o carisma da Congregação. Portanto, quando um redentorista é enviado em missão para lugares distantes, onde há precariedade, isso não é exílio, castigo ou perseguição; é, sim, fidelidade à vocação e ao carisma redentorista!

Ser missionário é sair, colocar-se a caminho para entrar nas mais diversas realidades humanas, sociais e culturais. A missão exige êxodos, disponibilidade e coragem de “dar a vida pela copiosa redenção”. Ser missionário é sair para “ir onde o povo está, com a roupa encharcada e a alma repleta de chão”. Esse movimento só pode acontecer no impulso da fé em Jesus Cristo: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço e fará até maiores do que elas”(Jo 14,12).

26 março 2013

Diocese de Jataí

Conheça um pouco mais sobre a Diocese de Jataí, esta fração da Igreja Católica Romana presente na região Sudoeste Goiano.



25 março 2013

Adão, Eva e a serpente


Foram Adão e Eva enganados pela serpente?

Tendo sido criados os nossos primeiros pais num elevadíssimo estado de graça, santidade e perfeição, como foi possível eles pecarem?

Quanto mais se penetra nos ensinamentos da Santa Igreja sobre o Pecado Original, tanto mais transparece a gravidade da desobediência de nossos primeiros pais. Trata-se de uma transgressão desconcertante, quase dir-se-ia incompreensível. Já em relação às faltas dos homens neste vale de lágrimas, dada a prodigalidade dos auxílios divinos que nunca faltam a quem é tentado, o salmista exclama: "Delicta, quis intelligit?" (Sl 19, 13). O que, então, dizer da ofensa a Deus cometida por Adão e Eva no Paraíso Terrestre, tendo eles sido criados num elevadíssimo estado de graça e santidade? Como foi possível que eles viessem a pecar? Qual foi a causa e a raiz mais profunda da violação deles ao preceito divino?

É o que consideraremos neste artigo, com base em dois luminares do pensamento cristão, São Tomás e Santo Agostinho, ao examinarmos se nossos primeiros pais foram enganados pela serpente.

"Deus criou o homem reto" (Ecl 7, 29)

Como espelhos sem mancha, Adão e Eva irradiavam em sua perfeita inocência a imagem de seu Criador. Por um dom sobrenatural da graça, tinham a razão submetida a Deus, a vontade à razão, e o corpo à alma. Em consequência, desfrutavam de uma vida íntegra, imortal e impassível: "Não havia, para o homem, possibilidade de morte, nem de enfermidade. Devido à sujeição das forças inferiores à razão, reinava nele uma completa tranquilidade de espírito, porque a razão humana não era perturbada por nenhuma paixão desordenada. Pelo fato de sua vontade estar submissa a Deus, ele dirigia tudo para Deus, como seu fim último, e nisso consistiam sua justiça e sua inocência". Tivessem nossos primeiros pais sido fiéis, este estado de justiça seria comunicado a todos os seus descendentes.