24 dezembro 2014

O Natal e a Cruz

Para alguns o Natal de 1075 foi um dos mais tristes da História; para outros, um dos mais conturbados. Mas o que diria o próprio São Gregório VII se pudesse nos narrar o acontecido nesse dia?


Natais de toda a História! Quem poderá ter notícia de tudo o que aconteceu nessas mais de duas mil noites? Quantos milagres, quantas graças recebidas e quantas comunicações do Infante Jesus às almas nesses abençoados dias?

Natais grandiosa ou humildemente celebrados; em templos magníficos ou em pequenas capelas, semelhantes em pobreza à gruta de Belém. Noites Santas comemoradas em meio a uma multidão ou entre os membros de uma pequena família. No entanto, contrariando a nota tônica de alegria de todos os Natais, alguns houve que lembram os sofrimentos que Nosso Senhor Jesus Cristo quis padecer já em sua entrada neste mundo.

Imagem do Menino Jesus venerada na
Casa Santiago, dos Arautos do
Evangelho, em Bogotá (Colômbia).
Caía copiosa chuva na cidade de Roma, na noite de 24 de dezembro de 1075. O frio era intenso, a atmosfera, pesada. Enfrentando as intempéries, o Papa Gregório dirigia-se à Basílica de Santa Maria Maior que, já naquela época, albergava as tábuas da manjedoura onde o Menino Jesus foi reclinado, depois de ter sido acolhido pelos braços virginais de sua Santíssima Mãe.

A primeira igreja da Cristandade dedicada à Mãe de Deus estava iluminada por uma quantidade considerável de candelabros, criando um ambiente de solenidade e de sacral mistério. O monge cisterciense Hildebrando, que dois anos antes fora eleito sucessor de Pedro e adotara o nome de Gregório VII, começou piedosamente a celebração do Santo Sacrifício e, fazendo eco ao cântico dos Anjos, entoou com firmeza o Gloria in excelsis Deo.

Durante a Celebração, cada vez que o olhar do Papa recaía sobre as tábuas sagradas, sentia ele um frêmito de emoção: há mais de dez séculos, o Verbo feito carne ali repousara! E, após a consagração, repousaria também em suas mãos, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, embora oculto sob as Sagradas Espécies.

Foi decerto com sentimentos como estes no coração que São Gregório VII celebrou a Santa Missa. Mas, quando se dirigia aos fiéis para dar-lhes a Comunhão, ouviu-se um ruído estrondoss e uma turba armada penetrou no templo. Muitos fiéis fugiram.

Comandados por um nobre romano chamado Cencia, os invasores avançaram contra o Papa, ferindo-o com punhaladas. Despojaram-no dos paramentos sagrados, manchados com o sangue que lhe fluía do rosto, arrastaram-no para fora e, sob a chuva torrencial, o encerraram numa torre perto do Panteão. Ao raiar da aurora, o povo de Roma, ao saber do local onde estava preso seu Pastor, reuniu-se impaciente junto ao Campidoglio e correu a libertá-lo.

Vendo-se cercado e temendo o furor da multidão ameaçadora, Cencio jogou-se aos pés de São Gregório, implorando-lhe clemência. Este perdoou o atentado cometido contra sua pessoa. Em reparação pela ofensa feita à Igreja, contudo, impôs-lhe como penitência uma peregrinação a Jerusalém. Dirigiu-se em seguida à janela de sua prisão e pediu ao povo romano que não fizesse mal algum ao sacrílego agressor, o qual pôde, assim, escapar livremente.

Liberto o Pontífice, o povo o conduziu em triunfo pelas ruas de Roma, em direção ao Palácio de Latrão, na certeza de que, após aqueles acontecimentos, ele desejaria cuidar das feridas, lavar- -se, trocar suas vestes e descansar. Este, porém, indicou à multidão outro destino: a Basílica de Santa Maria Maior. Sem entender o motivo de tal decisão, os fiéis obedeceram.

Lá chegando, São Gregório subiu ao altar e finalizou a Liturgia da Noite Santa, interrompida horas antes. Só depois se dirigiu ao Palácio Lateranense.

* * *

Para alguns, o Natal de 1075 foi um dos mais tristes da História; para outros, um dos mais conturbados. Mas se tivéssemos oportunidade de ouvir do próprio monge Hildebrando a narração do acontecido nesse dia, por certo ressaltaria ele o quanto, durante aquele episódio, seus sofrimentos estavam unidos aos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Conta uma piedosa tradição que o Menino Jesus, após dirigir o primeiro sorriso à sua Mãe virginal, abriu os braços em forma de cruz, prenunciando a Paixão. Se assim foi, quis Ele nos ensinar, com esse gesto, que em meio às alegrias natalinas os homens não devem se esquecer do objetivo de sua vinda ao mundo: operar a Redenção do gênero humano, pelo sacrifício de sua própria vida. Convidava, assim, todos os homens a se unirem às suas dores, nos séculos vindouros.

Foi o que fez São Gregório VII, ao longo de todo o seu Pontificado, marcado pela terrível perseguição do mais famoso potentado daquele tempo. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2012, n. 132, p. 50-51)


09 dezembro 2014

Pensamento sobre o sacerdócio

A segunda leitura da Missa deste XXX Domingo Comum do Ano B (Hb 5,1-6) inspirou-me algumas meditações sobre o sacerdócio. Gostaria de partilhá-las com você, meu paciente leitor.

O nosso único Sacerdote é Cristo Jesus. Ele, fazendo-se homem, tornou-se nosso Pontífice (nossa ponte) e Mediador. Como Deus e homem verdadeiro, ele é a ligação entre o Pai e a humanidade. Portanto, é a partir do Sacerdote perfeito e único do Novo Testamento que temos de compreender tanto o sacerdócio do Antigo quanto aquele sacerdócio ministerial presente na Igreja desde as suas origens. 

Antes de entrar na meditação do texto de Hebreus gostaria de recordar-lhe uma coisa: no Antigo Testamento Israel é um povo todo sacerdotal. No meio das nações e em nome de todas as nações, o povo santo de Deus deveria viver uma vida prática e cultual que fosse um verdadeiro sacrifício de louvor a Deus em benefício de todos os povos da terra (cf. Ex 19,5-6; Is 43,20-21). Desde o início era esta a bênção e a missão de Israel, povo vindo de Abraão: “Por ti todos os clãs da terra serão abençoados” (Gn 12,3). Por isso Deus afirma tantas vezes ao povo: Sois uma nação santa, sois um povo consagrado a mim, eu só a vós escolhi dentre todos os povos, sois um reino de sacerdotes. No entanto, no meio deste povo todo sacerdotal havia uma tribo (de Levi) e, nesta tribo, um clã (de Aarão) especialmente responsáveis pelo culto. Pelo ministério da tribo de Levi e do clã de Aarão o povo sacerdotal podia exercitar de fato o seu sacerdócio. Assim, o sacerdócio dos levitas e dos descendentes de Aarão em nada se opunha ao sacerdócio do povo de Israel: um estava em função do outro. 

08 outubro 2014

Novo bispo

O papa Francisco nomeou hoje, 8 de outubro, padre Levi Bonatto como bispo auxiliar da arquidiocese de Goiânia (GO). Atualmente, padre Levi é capelão do Centro Cultural Marumbi, em Curitiba (PR).

Natural de São José dos Pinhais (PR), padre Levi nasceu em 5 de dezembro de 1957. Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Paraná e doutorou-se em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Santa Cruz de Roma. Foi professor adjunto do setor de Direito Canônico e do setor de Línguas no Studium Generale do Brasil da prelazia do Opus Dei. Durante nove anos foi capelão do Centro Cultural Esplanada e Alfa em São José dos Campos.

Além de capelão do Centro Cultural Marumbi, padre Levi exerce atividades pastorais voltadas à família e coordena a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz no Paraná.

28 maio 2014

Novo Arcebispo

O papa Francisco nomeou hoje, 28, dom José Luiz Majella Delgado, como arcebispo de Pouso Alegre (MG), transferindo-o da diocese de Jataí (GO). A diocese estava vacante após renúncia de dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, acolhida pelo papa Francisco, conforme prevê o Código do Direito Canônico.

Dom José Luiz Majella Delgado é natural de Juiz de Fora (MG), nascido em 19 de outubro de 1959. Membro da Congregação do Santíssimo Redentor, recebeu a ordenação sacerdotal em 14 de março de 1981. Foi nomeado bispo pelo papa emérito Bento XVI, em 16 de dezembro de 2009, sendo ordenado no dia 27 de fevereiro de 2010. Seu lema episcopal é “Servir por amor”.

Formação
O novo arcebispo de Pouso Alegre (MG) é formado em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Lorena (SP) e Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo (ITESP), com licenciatura em Estudos Sociais. Possui especialização em Teologia Litúrgica e em Espiritualidade Redentorista pela Academia Alfonsiana de Roma (Itália).

Trajetória
Atualmente dom Luiz Majella estava como presidente do regional Centro-Oeste da CNBB. Sua caminhada episcopal é marcada pela atuação em atividades pastorais e de formação. Exerceu diferentes funções no ensino, em institutos e conselhos. Foi secretário da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) no regional Leste 2, secretário da Associação dos Liturgistas do Brasil e prefeito do Santuário Nacional de Aparecida. Em 2007, esteve como secretário executivo para a V Conferência dos Bispos da América Latina e Caribe (CELAM), em Aparecida (SP). Na CNBB, ocupou a função de subsecretário adjunto geral de 2007 a 2009.

Fonte: CNBB